Do primeiro voo dos irmãos Wright em 1903 ao Airbus A350 — como a aviação conectou o mundo e transferiu tecnologias para o automóvel.
Em poucas décadas, a humanidade passou de voar 12 segundos a transportar 4,7 mil milhões de passageiros por ano.
Muitas das tecnologias que hoje encontramos nos automóveis foram primeiro desenvolvidas ou aperfeiçoadas na aviação.
A aviação popularizou o alumínio como material estrutural na década de 1920. O automóvel demorou décadas a adotar o metal leve, mas hoje modelos como o Audi A8, Ford F-150 e Tesla Model S têm estrutura total ou parcialmente em alumínio — reduzindo 30–40% do peso.
Os testes em túnel de vento foram desenvolvidos para a aviação. O automóvel adotou a metodologia nos anos 1930 (Chrysler Airflow, 1934 foi o primeiro carro americano testado em túnel). Hoje, o Cx (coeficiente aerodinâmico) de 0,20 do Tesla Model S é comparável a aviões de treino.
Os sistemas fly-by-wire substituíram as ligações mecânicas em aviões por controlo eletrónico nos anos 1970 (Airbus A320, 1987). O automóvel seguiu com "drive-by-wire": travagem eletrónica, direção elétrica e acelerador eletrónico — base da condução autónoma.
O turbocompressor foi desenvolvido para aviões de alta altitude na I Guerra Mundial. Nos anos 1970–80 chegou ao automóvel de série, permitindo obter a potência de um motor maior de um motor pequeno e eficiente. Hoje, mais de 50% dos carros novos europeus têm turbo.
A fibra de carbono foi desenvolvida para aviação e aeroespacial. BMW foi o primeiro fabricante a usá-la em grande escala num carro de produção em série com o BMW i3 (2013). Hoje é comum em Ferraris, Lamborghinis e no BMW 7 Series como estrutura principal.
O GPS foi inicialmente militar e depois adotado pela aviação. O primeiro sistema de navegação GPS num carro chegou em 1990 (Mazda Eunos Cosmo no Japão). Hoje é a base dos sistemas de navegação e condução autónoma.
O HUD (projeção de informação no para-brisas) foi desenvolvido para caças militares nos anos 1950, para pilotos não terem de baixar o olhar. Chegou ao automóvel com o Oldsmobile Cutlass Supreme em 1988. Hoje é standard em muitos modelos premium.
O FADEC (Full Authority Digital Engine Control) da aviação — gestão eletrónica total do motor — inspirou as ECUs automóveis. Hoje um carro tem 50–150 ECUs a gerir motor, transmissão, suspensão, airbags e entretenimento com dezenas de milhões de linhas de código.
A aviação representa ~2,5% das emissões globais de CO₂ — mas o desafio da descarbonização é maior que no automóvel, pela dificuldade de eletrificar voos de longa distância.